Boris Casoy e o problema em falar a verdade

Durante o jornal  da Rede Bandeirantes, Boris Casoy faz um comentário que deixou muita gente indignada. Ou pelo menos é o que eles dizem!

Se você ainda não sabe o que aconteceu, veja o vídeo abaixo:

Reproduzindo a frase:  “Que merda, dois lixeiros desejando felicidades, do alto das suas vassouras…dois lixeiros, o mais baixo da escala de trabalho.”

Bom… de modo geral, entre os que defendem e os que condenam Boris Casoy pelo seu ato, a unanimidade pelos sites e blogs que eu tenho lido é que a frase do jornalista foi infeliz.

Mas pera lá! Infeliz como cara-pálida?

Os brasileiros (sim, os mesmos que dizem que não existe preconceito por aqui e que a criminalidade não é tão grande em nossas cidades) mais uma vez saem em defesa do politicamente correto. É de se esperar que isso aconteça num lugar onde as pessoas vestem camisas brancas e fazem uma caminhada pela paz ou dão um abraço simbólico na lagoa poluída. Esse tipo de atitude, neste caso refletido no apedrejamento de Boris Casoy é que camufla nossos problemas.

Ou alguém aqui defende que os garis estão em algum outro lugar que não seja “o mais baixo da escala de trabalho”?

Você compra, você come, você gasta e produz lixo. Lixo = o que não presta. Aí vai alguém na porta da sua casa pegar essa tralha toda, não por consciência ou bondade, mas sim por necessidade. Não importa se você é um magnata ou tem o pior dos empregos, alguém vai lá pegar o seu lixo. Isso não é estar em nenhum outro lugar que não o apontado por Boris.

Pode parecer cruel, ou que eu sou algum tipo de Playboy, ou qualquer comentário do gênero, mas é a realidade!

Além disso, ninguém deseja que seu filho seja um lixeiro do mesmo modo que deseja ver seu filho um médico, engenheiro, astronauta ou – por incrível que pareça – um político.

Esta é sim a última opção, ou uma das últimas. E num último suspiro de comoção alguns falarão que antes eles terem escolhidos ser lixeiros que se render ao crime e blá blá blá. ISSO É ÓBVIO. Eu não sou criminoso e nem apoio, vivo em uma sociedade onde (e eu concordo) é aceitável viver num ambiente pacífico. Então isso não é argumento que se apresente.

Mais um vício do brasileiro que colabora com essa falsa revolta é que por aqui todo coitadinho é sempre apoiado. O brasileiro gosta de gente coitada. Ou você não lembra dos comerciais “fulano é gente que faz”, dos inúmeros pontos de ibope que Gugu, Ratinho & CIA conquistaram dessa forma?

Gente que faz? Por que tem gente que faz numa cooperativa de bordadeiras, como diria Fábio Rabin, do raio do gelo do c* do Alasca?  Não existe executivo que faz? Não existe médico que faz?

Sobre o fato de ser um trabalho que precisa ser feito, e por isso ele é tão digno como os outros, não discordo. Mas o Boris Casoy também não, pois não foi neste ponto que ele tocou!

Existem lixeiros tristes com seus empregos, existem outros felizes e até aqueles que esperam durante todo o ano pra limpar o sambódromo no carnaval. Por algum motivo eles estão lá, em um lugar que certamente eu e você não gostaríamos de estar.

Boris Casoy falou a verdade, independente de ser o não a hora e lugar apropriados, e certamente sem saber que estava no ar, mas um fato é imutável, os garis pegam o seu lixo. E se você me achou um otário por estar falando isso, por favor se lembre que eles pegam o meu lixo também.

E da próxima vez que o lixeiro, justamente no natal, for bater na porta da sua casa pra pedir caixinha, lembre-se de como eles foram humilhados em rede nacional e ao invés de reclamar, tire “dézinho” da sua carteira e entregue ao moço!

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